censoescola2010-diario.pInúmeras reprovações, falta de estímulo, apoio da família e até dificuldades de aprendizagem têm levado alunos a atrasarem os estudos. Dados do Censo Escolar 2010 mostram um cenário lamentável. No ensino Médio do Ceará, por exemplo, 34,70% dos estudantes estão defasados, não cursam a série adequada para sua idade, enquanto a média nacional é de 23,6%. No ensino Fundamental do Estado, o problema atinge 25,50% do total de alunos cearenses.

O indicador mede a proporção de alunos que não está matriculada na série indicada à faixa etária. Conforme a legislação que organiza a oferta de ensino no País, a criança deve ingressar aos seis anos no 1° ano do ensino Fundamental e concluir a etapa aos 14. Na faixa dos 15 aos 17 anos, o jovem deve estar matriculado no ensino Médio.

O estudante Fernando Matias Freitas, 13, parou no 3º ano do ensino Fundamental. Morador do bairro Serrinha, em Fortaleza, o garoto diz ter perdido a vontade de estudar. Não consegue vaga perto de casa, já repetiu de ano duas vezes e relata ter “enchido o saco”. Entretanto, ele não é o único em Fortaleza.

A distorção idade-série é grande na Capital. Na rede municipal, no ensino Fundamental, 37,8% dos 230 mil alunos matriculados nas 420 escolas não conseguem acompanhar o ritmo, estão ficando para trás. Na rede estadual, no ensino Médio, a situação de distorção é bem pior: 46,2% do total.

Com relação ao Nordeste, o Ceará apresenta uma posição até favorável na rede pública, fica com os menores índice de distorção, 25,5% no ensino Fundamental e 34,7% no Médio. O Piauí, por exemplo, apresenta o pior resultado da região com relação ao atraso no ensino Médio, 56,7%. Com relação ao fundamental, a Bahia de destaca negativamente no ranking com 38,1% de distorção.

No Brasil, a estatística aponta que um em cada cinco estudantes do ensino Fundamental está atrasado na escola. No ensino Médio, pelo menos três em cada dez alunos também estão nessa mesma situação.

Para a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Maria do Pilar Lacerda, muitas redes de ensino que tinham como orientação a não reprovação dos alunos mudaram essas diretrizes. “Isso provocou uma manutenção da reprovação. Quando ela é grande, causa a distorção. Hoje já se pensa em políticas de correção de fluxo e de aprendizagem sem usar a reprovação, como o reforço escolar”, explica.

Conforme o MEC, de 2008 a 2010, o percentual de alunos fora da série adequada registrou uma leve alta. Em 2008, a taxa era 22,1% no ensino Fundamental, passou para 23,3% em 2009 e para 23,6% em 2010. No ensino Médio, o percentual era de 33,7% em 2008, foi para 34,4% em 2009 e chegou a 34,5% no ano passado.

REDUÇÃO DOS DADOS
Monitorar é fundamental

Sobre os índices de distorção idade-série apresentados pelo Censo Escolar 2010, o coordenador de avaliação a acompanhamento da Educação da Secretaria de Educação do Ceará (Seduc), Kennedy Santos, reforça a necessidade de acompanhamento direito e pessoal de cada um dos alunos que possa estar passando por dificuldades que levem ao atraso.

Entre os projetos para a melhoria dos índices, Kennedy Santos destaca o programa de superintendência escolar, desenvolvido por meio das Coordenadorias Regionais de Desenvolvimento da Educação (Crede) e Superintendência das Escolas de Fortaleza (Sefor).

“Temos também o Diretor de Turma que é uma ação em que um professor da unidade de ensino fica responsável por uma determinada turma e acompanha seu desempenho. Para isso, além do diálogo com o aluno, mantém contato constate com os familiares e direção da escola”, esclarece. Ele destaca também o projeto “Primeiro aprender”, ação com vistas ao desenvolvimento e à consolidação de habilidades e competências imprescindíveis ao aprendizado.

A Secretaria Municipal de Educação (SME) explicou que “a equipe de Coordenação do Ensino Fundamental realiza acompanhamentos para que a taxa de reprovação seja 0%. Programas como o Mais Educação, o Escola Aberta, e investimentos na implantação de 250 bibliotecas e 228 laboratórios de informática, ajudam a aumentar os índices de aprovação. Investimentos em infraestrutura e capacitação dos professores contribuem para a melhora”, diz.

IVNA GIRÃO
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste