|DIREITOS BÁSICOS| As duas áreas são temas de propostas e debates em todas as eleições. Em meio a uma crise econômica, são também prejudicadas no volume de recursos enviados aos estados

23:00 | 30/06/2018

Quem vencer a disputa pelo Governo do Ceará em outubro terá de enfrentar um mandato de muitos desafios, alguns novos, outros nem tanto. É o caso da saúde e da educação, duas áreas que são recorrentes nas propostas dos candidatos, mas que sempre precisam de mais investimentos.

 

O POVO conversou com servidores das duas áreas para discutir o que deve ser prioridade do próximo gestor. Na saúde, a lista de reivindicações é extensa. Uma das principais é a realização de concurso público para preencher as vagas nos hospitais do Estado.

De acordo com Marta Brandão, presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos em Serviços de Saúde no Ceará (Sindsaúde), há muitos trabalhadores da área que não são concursados, o que gera a precarização do trabalho.

“Hoje, há uma valorização do professor, eles fazem cursos com frequência, têm plano de carreira, um piso, Mas, os não docentes precisam ser valorizados”

Outro fator que contribui é a falta de infraestrutura para que os profissionais possam realizar seu trabalho: “É preciso garantir equipamentos para consultas, exames, medicação. É preciso abrir mais leitos nos hospitais, principalmente aqueles que recebem alta demanda de pacientes. É preciso aumentar as cirurgias, diminuir as filas de espera”, diz Brandão.

Edmar Fernandes, presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, reitera esses pontos e acrescenta outras prioridades. “O gerenciamento da saúde no Estado, tanto na Secretaria como na diretoria dos hospitais, deveria ser feito por pessoas capacitadas, que tenham conhecimento em gestão da saúde. As entidades médicas deveriam ter participação nas políticas públicas de saúde do Estado”, pede.

De acordo com Fernandes, muitos problemas são ocasionados por uma alegada “falta de diálogo” entre os gestores e os profissionais. Além disso, ele pede segurança armada nas unidades de saúde. Todas as diretrizes serão desenvolvidas e entregues aos candidatos quando iniciar a campanha.

 

A preocupação com a segurança também passa pela educação. Reginaldo Pinheiro, presidente da Apeoc, entidade que representa os profissionais da área no Ceará, reclama da insegurança nas escolas, mas para ele esse não será o maior desafio do próximo gestor. “O primeiro será cumprir as metas dos planos de educação”, afirma.

Entre os objetivos, está o de criar um concurso e planos de cargos e carreiras para profissionais da educação que não são professores. “Hoje, há uma valorização do professor, eles fazem cursos com frequência, têm plano de carreira, um piso. Mas os não-docentes, aqueles que trabalham com educação fora da sala de aula, precisam ser valorizados”, defende.

Estes são os que trabalham com administração, secretaria, infraestrutura e alimentação escolas. Segundo Pinheiro, eles são, na sua maioria, terceirizados. “Trabalhar em secretaria escolar não é mesmo que trabalhar em qualquer secretaria. Há uma necessidade de formação e valorização desses profissionais”, exemplifica.

Outro desafio do próximo governador será o de trabalhar para que a área não perca recursos. Ele sugere a criação de um fundo estadual de educação, para garantir o financiamento, mas também a articulação junto com governadores de outros estados para que os valores federais não sejam diminuídos e a área não sofra com o congelamento de gastos.

Por fim, ele demarca o quando é importante que o futuro gestor mantenha aberta a mesa de negociação com a categoria. Até agosto, a Apeoc deve preparar um documento com as principais reivindicações para entregar aos candidatos a governador do Ceará.

Manter, melhorar e avançar

O Ceará se tornou referência em educação e coleciona, nos últimos anos, boas posições em rankings de desempenho escolar e condições de ensino. O desafio do próximo governo é se manter na trilha.