Sindicato APEOC PARTICIPOU com representação ANIZIO MELO direção nacional da CUT

Direção da Central também critica discurso de corte de gastos adotado pela equipe econômica

A eleição de Dilma Rousseff foi conduzida pela esperança de aprofundar as mudanças. Entre as expectativas para o futuro governo, uma vem das promessas que a própria Dilma fez: erradicar a miséria do Brasil até 2014.

Logo, a única alternativa é ampliar os investimentos públicos em políticas sociais, aprofundar a ação do Estado e aplicar maciçamente recursos no desenvolvimento de setores como a educação e a saúde e na valorização permanente do salário mínimo e da renda dos trabalhadores.

A conclusão, resultado dos debates realizados na manhã desta terça (30) durante a primeira parte da reunião da Executiva Nacional da CUT, contraria o discurso que a equipe econômica do futuro governo vem sustentando nos últimos dias.

Artur, Quintino Severo e Clemente, durante reunião“Estamos ouvindo o discurso de que é preciso reduzir os gastos de custeio, limitar os investimentos nas políticas publicas e sociais. Ao mesmo tempo, a Dilma, que foi eleita pelo povo brasileiro, promete erradicar a miséria. Para isso, tem de investir na educação, na saúde, tem de ter Estado”, comentou o presidente da Central, Artur Henrique, na abertura da análise de conjuntura, que seria conduzida pelo coordenador técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, logo depois.

“A Dilma não foi eleita para fazer o mesmo. Ela foi eleita para aprofundar as mudanças”, afirmou ainda Artur.

Portanto, a CUT deve cobrar do futuro governo, desde já, a garantia de uma interlocução permanente, um canal formal de diálogo.

“Queremos uma outra forma de enxergar o movimento social e sindical. Eu não quero discutir só pauta de reivindicações. Eu quero discutir projeto de País. Nós temos propostas. Queremos ter influência política nos rumos do desenvolvimento”, disse o presidente da Central.

Crescimento no horizonte. E a distribuição?

Com o objetivo de disputar os rumos do futuro governo, Clemente Ganz Lúcio desafiou a audiência a pensar num projeto de dez anos. E fez um prognóstico: “Temos grande chance de um crescimento econômico continuado na média de 4%, 4,5% ao ano. Se acontecer, viveremos uma experiência inédita: nunca nenhum de nós viu isso acontecer. Se isso se confirmar, nossa renda média de 10 mil dólares por ano poderá chegar a 20 mil dólares”.

Média, lembrou Clemente, não quer dizer muito. “Se nossa renda média é de 10 mil dólares por ano, cadê a parte da maioria?”, provocou. “Vamos querer chegar a esse cenário dos próximos 10 anos mantendo a concentração de renda que temos hoje?”.

Para ele, na estratégia de “pressão continuada” da CUT, a educação pública deve ser prioridade. “Não vamos nos iludir com a possibilidade de que os pobres façam revolução em suas vidas com uma educação pobre. Do ponto de vista de nossa estratégia, não vejo nada em patamar mais elevado”. Clemente lembrou que o despertar da consciência de classe depende da educação popular de qualidade.

Brasil X crise

O coordenador técnico do Dieese voltou a defender uma estratégia de médio e longo prazo da queda consistente da taxa de juros como imprescindível para mudanças necessárias na questão do câmbio e nos reflexos para uma política industrial.

Dirigentes acompanham análise de conjunturaPara ele, a questão do controle da inflação, hoje exercido apenas pela taxa básica de juros, deve ser encarada a partir de novos instrumentos. Propôs como exemplos a desindexação das tarifas públicas e um programa de segurança alimentar.

A mudança macroeconômica é mais importante ainda se observada a crise econômica internacional e a onda direitista que tenta varrer os direitos dos trabalhadores em diversos países.

“Se o Brasil sobreviveu à crise, foi especialmente por ter acreditado no fortalecimento do mercado interno”, comentou Clemente.

Fonte: CUT