Não às reuniões nas escolas, todos à assembléia!

A categoria dos trabalhadores em educação do ceará vive um momento histórico. Atualmente enfrentamos uma dura greve contra o governo Cid Gomes. Trata-se sem dúvida de um governo forte, que conta com o apoio de um amplo arco de aliança que congrega partidos de variados matizes ideológicos, além dos diversos tipos de fisiologismos, garantindo-lhe, com algumas poucas exceções, uma quase unanimidade na assembléia legislativa. Certamente conta também com a complacência da grande mídia e, temos o direito de duvidar da isenção do poder judiciário frente a um governo desse tipo.

Apesar desses agravantes, a greve da categoria já o forçou a nos receber em audiência e a pagar em folha suplementar o abono/progressão (?). Mas será isso suficiente para recuarmos da luta? Será que não podemos avançar em nossa pauta? Ou forçar uma nova “conversa” com o governador, onde ele aponte soluções mais palpáveis para os impasses que levaram à eclosão da greve? São algumas das questões que exigem ampla discussão para que possamos dar o rumo adequado ao movimento.

De nossa parte temos a convicção que só a unidade vai garantir nossa vitória. Nesse momento só podemos e devemos contar com esse instrumento. É fundamental que reforcemos as instâncias de movimento, ou seja, as zonais e a assembléia geral da categoria. As decisões coletivas são muito importantes no presente instante e é preciso contar com a presença da categoria, daí o professor não poder abdicar do seu direito de manifestar-se nessas instâncias.

Nesse sentido é preciso ter claro que, no estágio em que se encontra a greve devemos estar atentos para o risco que representa as reuniões em escolas. Este é um recurso de que se valerá o governo, através de seus prepostos, para solapar a greve, pois isolados nas escolas os companheiros ficam mais suscetíveis às pressões, ou aos argumentos falaciosos indutores de decisões que desconsideram os interesses da categoria. Uma decisão tomada em uma escola de forma isolada, representa um arranhão em nosso movimento que poderá degenerar numa gangrena fatal, conforme a metáfora utilizada pelo revolucionário russo Leon Trotski.

Portanto, temos de ser responsáveis diante das tarefas que nos propomos fazer, e participar das decisões com a categoria de forma coletiva nos zonais e nas assembléias. Lembre-se, o sindicato representa a todos, e a assembléia é o espaço das decisões mais importante para a boa condução da greve. De modo que é fundamental a participação de todos, independente da opinião que tiver. As propostas passam por um processo de discussão, no qual inclusive, gostaríamos de assistir a uma maior intervenção dos companheiros de base, que realmente expressem a opinião das escolas.

Não podemos nos limitar a ouvir as mesmas “figurinhas carimbadas”, usando discursos surrados e recheados de velhos chavões em sua eterna disputa com a direção do sindicato e que se auto-proclamam como “os representantes da base”. O sindicato não deve e não pode tomar uma decisão solitária e nem tampouco ficar à mercê de meia dúzia de selenitas saídos do lado oculto da lua.

Além disso, é importante que tenhamos nas assembléias um ambiente favorável às discussões, procurando ter os ouvidos atentos para as falas de todos os companheiros com o devido respeito à opinião de cada um. Afinal, nada será definido sem passar pelo crivo do voto. Em nossas últimas assembléias tivemos um ambiente melhor em relação a outros momentos de nossa história recente, pois não tivemos o tumulto que alguns companheiros insistem em promover, ora usando o recurso do denuncismo vazio, ora o da repetição de falas, quando não das vaias e impropérios que acabam por desestimular a participação mais efetiva de muitos companheiros da base. Essas ações não contribuem em nada para a construção da greve, pois ao se trancar a pauta da assembléia ficamos impossibilitados de discutir as questões de caráter estratégico relativas à condução da luta. A manifestação no palácio Iracema lhes deu uma dura lição, quando a base demonstrou sua total reprovação senão às idéias , ao menos aos métodos desses companheiros Desta maneira é fundamental que se respeite o pensamento divergente, pois ninguém é dono da verdade. Em termos de estratégia todos os cenários podem e devem ser analisados, de modo que qualquer opinião nesse momento não pode deixar de ser considerada.

Insistimos, sua participação na assembléia é fundamental para a boa condução da nossa luta, e para que tomemos decisões que expressem verdadeiramente o pensamento da categoria. Vamos dizer não às reuniões nas escolas.

Prof. Fábio Lopes, secretário de formação do sindicato APEOC.