A figura do professor tem sido motivo de debates no tocante à sua autonomia para abordar determinados assuntos. Para alguns setores da sociedade, algumas questões são vistas como ideológicas e, por isso, não deveriam ser tratadas em sala de aula. A discussão é ampla e gera debates, sobretudo em tempos de polarização e acirramento político.

Isabel Ciasca, diretora da Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal do Ceará (UFC) explica que a liberdade de ensinar, aprender, pesquisar está assegurada na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da Educação Nacional. “O professor é um ser crítico, questionador, está sempre analisando seu contexto, a realidade, a sociedade. Ele não pode ser tolhido nessa função de pesquisar, de conhecer novas perspectivas pra que ele possa mostrar esse mundo de uma forma mais ampla pros seus alunos”, reflete.

Isabel também salienta que esse direito não pode ultrapassar o limite ético. “O professor pode mostrar horizontes e levar o aluno a novos conhecimentos sem impor caminhos únicos. A formação, desde o início, tem que ir nesse direcionamento da possibilidade de vislumbrar diversas perspectivas. A faculdade tem papel importante de ensinar a lidar com diferentes metodologias, perspectivas, de abordagens para o aluno, quando sair como professor, também ter como oferecer essa possibilidade aos seus alunos”, complementa.

Anizio Melo, presidente do Sindicato dos Professores e Servidores da Educação e Cultura do Estado e Municípios do Ceará (Apeoc), lembra que o Dia do Professor “é uma data que pede muita reflexão”. Para o presidente, a figura do professor “deve ser preservada na sua principal característica que é a autonomia pedagógica”.

“O estado ou qualquer outra força não pode de qualquer outra forma intervir na prática da docência. Na conjuntura atual, essa data toma uma importância maior ainda. Entendemos que a escola pública garante a oportunidade da diversidade, da laicidade e, principalmente, de aglutinar as diversas posições que são refletidas na sociedade brasileira”, reflete.

Anizio ainda chama atenção para o possível fim do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica, que deve acabar em 2020, caso não seja aprovada uma alteração na Constituição. “Precisamos de medida provisória que garanta a permanência desse fundo, que inclua novos recursos para que a escola pública possa ter garantias. O debate sobre a valorização é importantíssimo. Piso , carreira está tudo atrelado a esse fundo”, afirma.