O acesso de estudantes de escolas públicas às universidades públicas brasileiras é um elemento fundamental, se não o mais destacado, para a redução das desigualdades sociais, a partir da educação, e a construção de uma sociedade menos injusta. Historicamente, as instituições de ensino superior, especialmente as públicas, foram espaços majoritariamente ocupados por jovens de classes mais privilegiadas, que tiveram suas formações em escolas particulares com recursos educacionais voltados para esse acesso. Alunos de escolas públicas, muitas vezes enfrentando carências estruturais — como falta de infraestrutura, escassez de professores e pouca oferta de atividades extracurriculares — encontram barreiras adicionais para competir de forma equilibrada em processos seletivos. Garantir sua entrada nessas universidades não só democratiza o conhecimento, como também enriquece o ambiente acadêmico com diversidade de experiências, reforçando o papel da educação como instrumento de transformação social.
Dito isso, políticas afirmativas, como as cotas sociais e raciais, apresentam-se como mecanismos essenciais para corrigir distorções históricas e tentar promover equidade. Ao reservar vagas para estudantes de escolas públicas, negros, pardos, indígenas, PCDs e pessoas de baixa renda, as cotas reconhecem que a meritocracia, sem considerar as condições desiguais de partida, perpetua exclusões e passa a ser apenas uma tese que reforça valores neoliberais forçadamente impregnados no universo educacional. Programas como o SISU, PROUNI e FIES ampliam as oportunidades, mas é crucial que sejam acompanhados e reforçados com ações de permanência — como bolsas, auxílio-moradia e tutoria, bem como estágios remunerados e outros — garantindo que os alunos não apenas ingressem, mas consigam concluir seus cursos. Essas políticas não são “privilégios”, mas sim direitos; reparações necessárias para que o ensino superior cumpra seu papel como espaço de pluralidade e inclusão.
Nessa jornada, o papel do professor se amplia e incorpora mais uma missão: a de motivador insubstituível. Isso mesmo! Nada ofusca a importância do professor no espaço escolar; ou seja, ele é insubstituível. Muitos estudantes de escolas públicas não enxergam a universidade como uma possibilidade real, seja por limitações materiais, pelo contexto historicamente imposto a esses estudantes ou pela ausência de referências em seu entorno. Nós, professores, podemos romper esse ciclo ao estimular o autoconhecimento, apresentar oportunidades e fortalecer a autoestima dos alunos — ações que já são espontaneamente realizadas pela imensa maioria dos docentes; porém precisamos de reconhecimento e valorização quanto a esta nova seara. Ações como incentivar a participação em olimpíadas científicas, orientar projetos de pesquisa e oferecer conteúdos diversos voltados para o ENEM são algumas formas de mostrar que o acesso ao ensino superior é alcançável. Assim, o professor torna-se uma ponte essencial entre realidades marginalizadas e futuros possíveis.
O investimento contínuo em cotas, programas de apoio e na valorização docente é, portanto, um investimento no desenvolvimento socioeconômico e na democracia. A sociedade precisa compreender que investir em educação inclusiva e na valorização docente fortalece coletivamente a nação, tornando-a mais justa e preparada para os desafios vindouros.














