Para falar sobre o professor,do seu desempenho e de sua avaliação,deve-se analisar a qualidade  do  ensino  num  contexto mais abrangente mostrando o que acontece na escola e na sala de aula.

É histórica a baixa qualidade da Educação Básica. Vários fatores intraescoltares e extraescoltares contribuíram e continuam contribuindo para o agravamento desta situação, como a falta de foco e a segmentação das políticas públicas voltadas para a melhoria da qualidade do ensino, a sobrecarga das funções sociais da escola e do educador, precariedade ou falta de materiais de consumo, permanente e de recursos pedagógicos, todos eles de extrema necessidade para que os professores e demais trabalhadores da educação possam realizar um trabalho de qualidade.Currículo fora da realidade social, política e econômica dos alunos, metodologias ultrapassadas, falta de um acompanhamento cuidadoso da qualidade dos cursos de formação do magistério, de modo que os mesmos possam oferecer uma formação mais sólida,objetivando não só fazer a crítica à escola,mas ensinando-lhes também o que e como fazer para melhorar nossas escolas e com competências necessárias para o enfrentamento dos reais problemas educacionais,de modo que não mais exista um divórcio entre o que se aprende nas universidades e os desafios encontrados e enfrentados nas escolas.A violência,o consumismo exacerbado,as dificuldades das crianças em compreenderem a lógica dos conteúdos escolares,as dificuldades das famílias serem uma presença mais efetiva na vida de seus filhos,as drogas,o envolvimento das famílias em situações de risco,excesso de jornada de trabalho dos professores,salas de aula superlotadas,com excesso de alunos,falta de tempo suficiente ao professor para estudar e realizar as atividades pedagógicas.Nós professores somos os mais interessados em encontrar caminhos e soluções para a superação de todos esses problemas e dificuldades que adentraram e adentram as escolas e que interfere negativamente no cotidiano escolar,no trabalho dos profissionais da educação e na aprendizagem do aluno.Essas dificuldades não foram construídas pelos professores e ultrapassam os muros das escolas.

O que incomoda a nós professores é que as propostas de avaliação são usadas mais para responsabilizar o professor pelo fracasso escolar e pela decadência do ensino do que par propiciar a melhoria do ensino. A verdadeira avaliação deve ter como objetivo principal o diagnóstico, o repensar e não a denuncia, tal como é feita atualmente. A divulgação dos resultados escolares querendo colocar a culpa do fracasso da aprendizagem dos alunos somente nos professores com acontece atualmente demonstra uma grande falta de respeito e de responsabilidade com a escola e com os seus profissionais. Nós profissionais da educação somos vítimas de sistemas de ensino com gestões inadequadas e viciadas.
Apesar das deficiências verificadas na formação docente, a avaliação pode e deve ser implementada, pois é inerente à gestão de qualquer sistema. Não se pode falar em gestão competente se não se faz continuamente a avaliação de processo e desempenho, com o objetivo de melhorá-los. Ficando claro que a avaliação deve estar sempre voltada para a promoção do desenvolvimento, devendo ser orientada proativamente e não reativamente, pois a lógica reativa de avaliação torna a avaliação perniciosa e todos vão querer evitá-la e burlá-la.. E, como resultado ela vai causar mais prejuízos do que resultados.

Para avaliar o trabalho docente é preciso saber o que vai ser avaliado, porque vai ser avaliado, para que vai ser avaliado,quando vai ser avaliado,onde vai ser avaliado. Não se pode avaliar de fora o que o outro executou e de que cujo processo de concepção não tenha participado. Não se pode pensar em avaliar o que o professor não teve condições de realizar. Para se obter a excelência é preciso saber onde existem falhas e quais as possibilidades de mudanças.

As avaliações dos professores não atingem os seus objetivos, porque não é focalizada sobre a atividade de ensino e sim sobre o conhecimento do conteúdo. Não se pode centrar a avaliação do professor somente em conteúdos, pois alguém pode saber todo o conteúdo de uma disciplina e ser um péssimo professor. O professor tem que entender de educação. No Brasil o eixo da discussão foi mudado,acha-se que para ser professor basta saber o conteúdo. É preciso também avaliar os aspectos pedagógicos, disciplinares e relacionais dos professores. Baseados nestas informações os professores devem se autoavaliarem e a direção pedagógica deve realizar uma avaliação institucional objetivando fazer uma reflexão sobre o desempenho e as práticas pedagógica dos educadores, traçando estratégias objetivando melhorar, se necessária for. A observação é o método mais eficiente de avaliação dos docentes, ”de modo” a verificar, na relação professor-aluno,que estratégias de ensino são mais eficientes,como reagem os alunos diante dos vários momentos da aula.Avaliar representa observar a relação entre o que é realizado e os resultados conseguidos,de modo a reforçar os mais eficazes e modificar os que não contribuíram para promover a mobilização e aprendizagem dos alunos.Porem antes de se pensar em avaliar os professores, é preciso verificar,averiguar o que falta aos professores para que consigam desempenhar melhor o seu trabalho a sua profissão.

O professor precisa ir ao teatro, ter acesso à literatura de boa qualidade,ir ao cinema,aos museus,enfim consumir produtos culturais de qualidade.Vivencia essa fundamental para o trabalho docente.O professor precisa ser muito bem remunerado,ter um salário digno.Assegurar um piso nacional mínimo é visto com bons olhos,mais ainda não é o suficiente. O professor precisa perceber uma remuneração que justifique o enfrentamento dos desafios que a profissão, cada vez mais, coloca no cotidiano escolar.É preciso que o professor deixe de ser visto como um sacerdote,tia,faquir,malabarista e fazedor de milagres.

Paulo James Queiroz Martins
Representante APEOC de Maranguape