Enquanto esperam, os estudantes são encaminhados para a biblioteca, a sala de informática, atividades de recreação. Outros professores, de outras matérias, dão aula extra ou compensam alguma falta. O diretor ou diretora da escola também assume a sala no improviso. Às vezes, não há alternativa: as crianças e adolescentes voltam pra casa mais ce do ou, por semanas, nem entram mais na escola. Hoje, há falta de professores em disciplinas ou turmas em pelo menos 33 escolas da rede municipal de Fortaleza, de 60 consultadas pelo O POVO. A rede possui 457 unidades de ensino (escolas e creches).

São lugares já ocupados por professores licenciados ou aposentados e por substitutos que terminaram ou desistiram do contrato temporário. Em alguns casos, a ausência é breve, uma semana. Em outros, os estudantes acumulam cinco meses sem aula de uma ou mais disciplinas. O POVO procurou dez escolas de cada Regional, garantindo às equipes pedagógicas que nem a escola, nem seus nomes seriam divulgados.

Na Regional I, uma delas está sem cinco professores. “Tenho vários ofícios encaminhados à SME (Secretaria Municipal da Educação). O pessoal da Regional faz várias reuniões para a gente conseguir aumentar o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), mas como aumentar o nível de aprendizagem dos alunos desse jeito?”, questiona. O diretor conta que, diariamente, faz parte das suas funções determinar quem fica e quem volta pra casa por falta de professor.

Uma das áreas em que mais se sente a falta de professores é a de Educação Física. Outra queixa comum é a ausência de profissionais de Religião e Artes. Quem gerencia a escola precisa saber “tapar-buraco”. “A gente não pode é deixar o aluno sem estudo. Gostamos de dar o melhor, mas, no momento, a gente não tem o melhor”, lamenta uma diretora da Regional IV.

O tempo para a substituição de professores com licença médica pode ser rápido, alguns dias. Mas também pode consumir um mês de aula. “Demora bastante. Muitas vezes o professor retorna e não tem chegado ninguém”, reclama uma diretora na Regional III. O fim do contrato de professores temporários é outra quebra no dia a dia das crianças. Quando outro se apresenta, é hora de organizar a reposição. Uma gestora reconhece: “Não deixa de ter prejuízo para o aluno, porque o conteúdo é jogado em cima da hora”.”

Fonte: Jornal O POVO e Blog jornalista Eliomar de Lima, 15-09-2010.