Uma auditoria interna do Inep, Instituto do Ministério da Educação (MEC) que administra o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) , constatou falhas do próprio órgão no encaminhamento da prova cancelada em outubro do ano passado. Dois diretores serão substituídos.

O exame foi furtado por funcionários contratados pelo consórcio Connasel, formado pela empresa baiana Consultec, a Funrio, do Rio de Janeiro, e o Instituto Cetro, de São Paulo. O Inep entrará com ação para ter de volta os R$ 37,2 milhões já pagos às empresas.

Internamente, a auditoria constatou falhas na licitação, no pagamento e no acompanhamento do contrato entre o Inep e o consórcio. Um dos problemas apontados foi o pagamento com base na estimativa de que seis milhões de pessoas iriam se candidatar ao Enem, e não no número efetivo de 4,1 milhões de inscritos. Com isso, o Inep pagou R$ 8 milhões a mais.

Outra falha foi a inexistência de uma comunicação formal do Inep ao consórcio sobre os problemas de segurança detectados durante a preparação para a prova. Na auditoria, diz o presidente do Inep, Joaquim José Soares Neto, os técnicos responsáveis fizeram só comunicação verbal sobre os problemas.

A auditoria considerou ainda que o Inep não poderia ter aceito a desistência da Fundação Cesgranrio da licitação porque a entidade já teria sido considerada habilitada a realizar o exame.