Amplicar TabelaPressão da família para conseguir um emprego é um dos motivos da evasão escolar de adolescentes

O número de crianças e adolescentes matriculados este ano nas escolas públicas estaduais e municipais do Ceará foi de mais de 1,9 milhão. Em comparação com a estatística do ano passado, que foi de 2,5 milhões, houve uma redução de 24%.

A informação é do Censo Escolar 2010, divulgado ontem pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao Ministério da Educação (MEC).

O levantamento demonstra como está a situação de matrículas na Educação Infantil, no Ensino Fundamental e Médio e na Educação de Jovens e Adultos (EJA) no País.

A pesquisa, realizada com dados de maio a agosto deste ano, indica que o Ceará está em concordância com a realidade nacional, ou seja, o percentual de matrículas registradas no anos iniciais da Educação Infantil e do Ensino Fundamental é muito maior quando comparado com o do Ensino Médio.

Outro aspecto do estudo mostra que mais de 273 mil crianças foram matriculadas em creches e pré-escolas públicas cearenses. Nos anos iniciais do Ensino Fundamental (do 1º ao 5º ano), esse número sobe para 652 mil matrículas. Contudo, é a partir dos anos finais do Ensino Fundamental (do 6º ao 9º ano) que o sistema educacional brasileiro começa a mostrar suas possíveis falhas. Isso porque é nesse período que ocorre uma diminuição considerável na quantidade de matrículas efetuadas.

Conforme o Censo, no Ceará, 569 mil estudantes se matricularam nessas séries. No Brasil, os anos finais desse nível tiveram 11% a menos de matrículas (11,9 milhões) do que as séries iniciais do Ensino Fundamental (13,4 milhões).

Ensino Médio

A situação do Ensino Médio (1º ao 3º ano) cearense, de acordo com o Censo Escolar, também apresenta complicações, com apenas 359 mil matrículas. Uma queda de mais de 100% na transição do Ensino Fundamental para o Médio. Fato que demonstra que a maioria dos alunos quando completa o ensino fundamental não dá prosseguimento aos estudos. O mesmo cenário se repete quando analisamos o Brasil como um todo. Enquanto 13,4 milhões de estudantes se matricularam nas séries iniciais do Ensino Fundamental, apenas 7,1 milhões de matrículas foram feitas para o Ensino Médio.

Segundo o mestre em Educação, Marco Aurélio de Patrício Ribeiro, os grandes problemas que o sistema público de educação brasileiro enfrentam é justamente a permanência e também a promoção dos alunos nas escolas. “Hoje, a grande dificuldade das instituições públicas de ensino é fazer com que os adolescentes permaneçam dentro da escola. É necessário o empenho tanto dos educadores quanto do colégio para que isso seja conquistado”, destaca.

Conforme Marco Aurélio, para que as estatísticas relacionadas ao Ensino Médio brasileiro melhorem, são necessárias algumas ações que incluem a capacitação contínua dos professores, a reestruturação do currículo escolar e a atenção individualizada, com o colégio acompanhando de perto a situação de cada estudante.

Para o professor, o número menor de matrículas no Ensino Médio tem como alguns dos principais motivos a pressão que os adolescentes sofrem da família para trabalhar e o fato de eles não verem o que se ensina na escola como algo realmente importante, abandonando assim os estudos. Já a queda no número total de matrículas pode estar ligado, segundo Ribeiro, à diminuição da procura por escolas devido ao número de filhos por família ter reduzido.

“Com os alunos fora do Ensino Médio, o Brasil pode não ter, nos próximos anos, profissionais qualificados. O País deixará de formar cidadãos éticos e preocupados com valores importantes, como a não violência, já que a escola tem um papel fundamental nessa formação”.

As secretarias de Educação estadual e municipal informaram que estão analisando os resultados do Censo Escolar 2010 para se pronunciarem.

JÉSSICA PETRUCCI
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste