Foto: Diário do NordesteCom a aprovação, pela Comissão de Educação do Senado, da obrigatoriedade da formação universitária para professores da pré-escola e dos cinco primeiros anos do Ensino Fundamental, governos terão de adequar os quadros de profissionais na educação infantil.

No entanto, no Ceará, a formação superior nas creches e no Ensino Fundamental já vem sendo exigida, pelo menos em Fortaleza.

Na Capital, todos os professores das creches são graduados e apenas 3,5% do Ensino Fundamental não têm essa formação, que são aqueles que já estão em fim de carreira, conforme a Secretaria Municipal de Educação (SME). A grande maioria que entrou na rede pública de ensino sem a graduação teve ajuda para que adquirisse a formação superior, como informa a SME.

Diante disso, o que se conclui é que, com a nova lei, a mudança não vai ser tão brusca, como destaca o coordenador da pós-graduação da Faculdade Sete de Setembro (FA7) e mestre em Educação, Marco Aurélio de Patrício Ribeiro. “A lei talvez não mexa demais com a educação em alguns locais, como Fortaleza, que já vem colocando, em seu quadro, professores capacitados, mas vai atingir com mais força as cidades pequenas do Interior e da região Norte do País. O que tem de mais interessante nesse processo é a valorização do profissional de nível superior. É uma vitória”, avalia.

Dificuldades deverão existir em municípios do Interior do Estado que contam com poucos profissionais com formação universitária. De acordo com o secretário de Finanças do Sindicato APEOC, Anísio Melo, na grande maioria dos municípios cearenses os professores ainda é de nível médio.

A formação avançada é uma tendência natural do mundo e é preciso que seja uma capacitação verdadeira, com carga horária extensa. A educação infantil requer pessoas com formação universitária, já que as atividades realizadas têm sentido pedagógico.

O professor Marco Aurélio Ribeiro alerta para o fato de que a formação deva ser custeada e incentivada pelos governos estaduais ou municipais. “Além disso, deve acontecer a valorização do profissional, por meio da justa remuneração”.

Conforme afirma o secretário de Finanças do Sindicato Apeoc, Anízio Melo, apesar de a entidade ser a favor de elevar a escolaridade dos profissionais em educação, apontar para o fim do magistério não vai resolver a questão educacional no Brasil. “É preciso que o nível médio seja incentivado para elevar a formação dentro da carreira, porém a proposta apresentada está deslocada do projeto nacional de valorização da categoria”. Para o secretário, com a lei, é preciso discutir o incentivo que será dado aos professores a fim de estimular a formação, mas o profissional de nível médio ainda é necessário na educação infantil.

Uma crítica feita pelo sindicato ao projeto de lei é que não houve discussão com a sociedade. Para promover a capacitação dos professores no nível universitário, Anísio Melo propõe que as escolas de nível médio no Ceará sejam transformadas em institutos superiores de educação. “Contudo, a medida ainda precisa ser amadurecida. Queremos discutí-la”, finaliza o secretário.

No interior do Estado, a realidade ainda preocupa. De acordo com o Sindicato APEOC, a maioria dos profissionais da educação infantil tem apenas o Ensino Médio

Fonte: Jornal Diário do Nordeste 08/07/2010