centro_filosofia.jpgEm todos os períodos da história da humanidade, o processo educacional esteve relacionado à necessidade social, instrumentalizado pelo sistema econômico. Nas sociedades primitivas, o sistema econômico estava baseado na agricultura, assim como na Roma Arcaica a necessidade econômica estava relacionada à expansão agrícola. Nesses sistemas, a identidade do sujeito passava pela idéia de que ele deveria ser preparado para ser um guerreiro. Neles, a instituição responsável pelo processo de educação era a família e o papel valorizado pela sociedade e pela cultura era o papel social do guerreiro. Dessa forma, a preparação dos meninos para a guerra passava pela utilização dos jogos que simulavam as situações vividas na realidade.

Na Idade Média, os filhos passaram a sair de suas casas para serem educados nas casas de outras famílias. Naquela época, acreditava-se que o afeto poderia interferir de modo negativo no processo educacional e a educação passou a ser feita à distância para que o aspecto emocional não comprometesse a preparação dos guerreiros. Os jovens aprendiam, assim, tanto a realizarem os afazeres domésticos quanto sobre as próprias relações de produção da sociedade. A religião, na figura da Igreja, era a instituição que controlava as normais sociais, ditava as regras da moral e da educação.

Na Idade Moderna, com o advento da Revolução Industrial, houve um processo de ruptura do processo artesanal com a chegada das máquinas. Ocorreu uma crise social e a conseqüente ida de muitas famílias para as ruas. Criaram-se, as workhouses para recolher essas pessoas e formar membros úteis ao Estado. A necessidade pedagógica era a de homens que trabalhassem sem pensar. A busca pela moral do indivíduo foi substituída pelo ideal da disciplina. Era preciso domar o caráter dos indivíduos, através da educação de seu corpo, com a finalidade de fornecer ao sistema econômico indivíduos disciplinados e, portanto, produtivos. Da mesma forma, as crianças eram cobiçadas como mão-de-obra barata e necessitavam ser disciplinadas para que suportassem longas horas de jornadas de trabalho. O instrumento idôneo que estava à disposição desse sistema era a escola, que assumiu essa função social de disciplina. Passou-se, assim, de um sistema social de auto-instrução através da família para a escolarização, com o controle do Estado.

Quanto ainda carregamos desta história, considerando que somos frutos dela?

Quais são os desafios que hoje enfrentamos considerando que não é possível alterar o passado, mas, ao mesmo tempo, necessário construir o futuro?

Fabíola Langaro
(Psicóloga)
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