O corte no ponto dos professores em greve está confirmado pelo Governo do Distrito Federal (GDF). Apesar de o assunto ser discutido desde o início da paralisação, que já dura 13 dias, a medida ganhou força e foi reiterada ontem, por ser a data de fechamento da folha de pagamento. Segundo a Secretaria de Educação, 40% dos servidores mantêm a greve e há aulas na maioria das 649 escolas do DF. No entanto, para o Sindicato dos Professores (Sinpro-DF),

a porcentagem de grevistas chega a 65%. A categoria volta a se reunir em assembleia na próxima terça-feira, às 9h30, em frente ao Palácio do Buriti, para discutir a manutenção do movimento. Os professores iniciaram a paralisação no último dia 12. Eles reivindicam, principalmente, a revisão do plano de carreira, com isonomia salarial em relação às categorias de nível superior do GDF.

Apesar de a folha de pagamento ter sido fechada ontem, o corte de ponto só será realizado na remuneração de maio. “O salário de abril é referente aos dias trabalhados em fevereiro, portanto, as faltas só serão descontadas em maio”, explicou o porta-voz do GDF, Ugo Braga.

Há 10 dias, os representantes do Sinpro-DF se reuniram com o secretário de Administração Pública, Wilmar Lacerda. Sem propostas que tratassem do reajuste salarial, a categoria decidiu manter os braços cruzados. Na ocasião, o governo havia se comprometido a dar continuidade aos estudos para a reestruturação do plano de carreira, sem prazo para sair do papel, e acenou com a possível implantação de plano de saúde no segundo semestre deste ano, estendido a todos os servidores do GDF.

Sem acordo

Em relação ao corte de ponto, o diretor jurídico do Sinpro-DF, Washington Dourado, considera a medida autoritária. “Nossa paralisação cumpriu todos os requisitos jurídicos. Só começamos a greve 72 horas depois de decretá-la. Além disso, há nas escolas os 30% mínimos de professores nas salas de aula”, reclamou. Segundo ele, não há “razão jurídica” para o corte. “A greve não foi julgada na Justiça. Em vez de buscar negociação, o governo radicaliza com o movimento. Ele tem que cumprir o acordo. Essas ameaças só pioram a situação”, completou Dourado. Ainda de acordo com ele, sem propostas concretas, a tendência é a greve continuar.

Segundo a assessoria da Secretaria de Administração Pública, não há encontro formal agendado com a categoria, mas a pasta reafirma estar de portas abertas ao diálogo. No entanto, reitera que não será discutido reajuste salarial em respeito ao limite prudencial, imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal. A LRF estabelece que os governos só podem aplicar, na folha de pagamento, 49% do que arrecadam. Mas o limite prudencial, espécie de sinal de alerta, é de 46,55%. No início deste ano, a taxa chegou a 46,1%.

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE – DF