São muitas as histórias indicando abusos na prática de juros, algumas deles teriam começado a partir do novo modelo de intermediação contratado pelo governo

A angústia e o desespero de ter a dívida multiplicada por sete, ao ser renegociada, é sentida na pele pela professora da rede estadual de ensino, no município de Icó, Luzia Alexandrino, 56, que, desde o ano passado, diz\ ter visto o débito por empréstimos consignados passar de R$ 10 mil para R$ 75 mil.

A professora conta que realizou empréstimos com algumas instituições financeiras, antes de o Governo do Estado realizar licitação que contratou a Administradora Brasileira de Cartões (ABC) para gerenciar empréstimos consignados aos servidores estaduais. Quando a ABC assumiu a função, ela precisou, então, renegociar a dívida.

O problema é que, segundo Luzia, do débito anterior restavam apenas dezesseis parcelas de R$ 632 para quitação da dívida. Depois da renegociação, ela teve de assumir os mesmos valores, sendo que em 120 meses, ou seja, em dez anos.

“Eu fui obrigada a fazer a renegociação. E, agora, me diga se é justo que eu pague todo esse valor”, lamenta a servidora, explicando que não se nega a pagar o empréstimo anterior, mas que precisa que os juros cobrados pela atual administradora sejam amenizados.

Empresas envolvidas
A mesma aflição é sentida por Joaquim da Silva, 58, servidor estadual há mais de 30 anos. Conforme Silva, em alguns meses, o seu salário já chegou a R$ 5. “Os juros são exorbitantes e eu tenho me prejudicado muito por isso. Alguma coisa ter que ser feita”, reclama.

Com graves problemas de saúde, outra servidora pública estadual, que prefere não se identificar dizendo ter medo de represália, resolveu contratar um empréstimo de R$ 33 mil para pagar seus tratamentos médicos. O valor total que será pago por ela, no entanto, chegará aos R$ 81 mil, com taxa de juros anual de 41,40%. “Não tenho nem palavras para dizer o quão absurdos são esses juros”, comentou.

O contrato foi elaborado pela Promotoria de Crédito e Cobranças Extrajudiciais (Promus), cujo administrador é Luis Antonio Ribeiro Valadares, genro do chefe da Casa Civil, Arialdo Pinho. A empresa é uma das subcontratadas para realizar o serviço pela ABC.

Fonte: O Povo


O Sindicato-APEOC em conjunto com outras entidades sindicais de servidores públicos estaduais no ano de 2009 manejou ação na Justiça contra a nova forma de dos empréstimos consignados implantada pelo Governo do Estado. Além disso foi realizado audiência pública e protestos contra a nova política de empréstimo consignado do Estado. Finalmente começa-se a se fazer justiça aos servidores públicos estaduais.

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